Não é raro um idoso chegar à consulta com uma lista de 10, 12 ou até 14 medicamentos diferentes. Esse fenômeno, chamado polifarmácia, é um dos maiores desafios da Geriatria — e, muitas vezes, parte desses remédios está fazendo mais mal do que bem.

Cada medicamento tem seu propósito. O problema surge quando eles se acumulam ao longo dos anos, receitados por diferentes médicos, sem que ninguém olhe a lista completa de forma integrada. O resultado pode ser um verdadeiro efeito dominó de reações adversas.

O que é polifarmácia?

De forma geral, considera-se polifarmácia o uso simultâneo de cinco ou mais medicamentos. Ela nem sempre é um erro — há idosos que realmente precisam de vários remédios. O risco está no uso desnecessário, na duplicidade e nas interações que passam despercebidas.

Por que é tão arriscado no idoso?

Com o envelhecimento, o corpo metaboliza e elimina os medicamentos de forma mais lenta. Isso significa que as substâncias permanecem mais tempo no organismo e em concentrações maiores. Somam-se a isso as interações entre remédios, que podem causar:

  • Quedas e fraturas por tontura ou sonolência;
  • Confusão mental e piora da memória;
  • Queda da pressão, alterações no ritmo do coração e problemas renais;
  • Internações que poderiam ser evitadas.

A cascata medicamentosa: um efeito colateral é confundido com uma nova doença e tratado com… mais um remédio. Reconhecer esse ciclo é um dos papéis mais importantes do geriatra.

Sinais de que algo pode estar errado

Desconfie quando o idoso apresentar, após iniciar ou aumentar medicações:

  • Sonolência excessiva, quedas ou tonturas frequentes;
  • Confusão, esquecimento ou mudança de comportamento recentes;
  • Perda de apetite, náuseas ou constipação persistente;
  • Uso de remédios para tratar efeitos colaterais de outros remédios.

Desprescrição: menos pode ser mais

Desprescrever é o processo, cuidadoso e planejado, de reduzir ou suspender medicamentos que não trazem mais benefício ou cujo risco superou a vantagem. Feito com acompanhamento médico, é seguro e frequentemente melhora a disposição, a memória e a qualidade de vida do paciente.

Como organizar os medicamentos com segurança

  • Mantenha uma lista atualizada de tudo o que é usado, incluindo vitaminas e fitoterápicos;
  • Leve todas as caixas à consulta — o método do "saco de remédios" ajuda muito;
  • Nunca inicie ou suspenda um medicamento por conta própria;
  • Concentre a revisão da lista em um único médico de referência.

Quando procurar um geriatra?

Se um familiar idoso usa vários medicamentos e vem apresentando quedas, confusão ou cansaço, é hora de uma revisão completa. O geriatra é o especialista treinado para enxergar o conjunto, ajustar doses e devolver segurança ao tratamento.


Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente por um profissional.